Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007
...ao som do fado português, do destino das existências, das angústias amadas e desamadas, que se choram em risos de eufórica tristeza.
Leve sotaque da planície, aos quadrados nas camisas, réstias de momentâneas tradições nas pregas das calças cor de trigo, e a saudade a fazer vibrar a laringe, no atrito do som vindo das entranhas do que não se é.
A alma ultrapassa o ser, a música sangra por entre os gestos possuídos. As cordas chiam encantos, traduzem raras porções do que vai cá dentro.
E o dia, subitamente, torna-se digno de um bom copo de vinho tinto, regado por um estranho orgulho em falar esta língua.

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade

Mariza/Jorge Fernando
Chuva


apoquentado por Béu às 01:46 | linque da apoquentação

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